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‘Orkut dos artistas’ destaca brasileiros

segunda-feira, mar 3, 2008 - 22:49

deviantart.pngQuando o engenheiro de softwares turco Orkut Büyükkökten lançou o website que leva o seu primeiro nome, no início de 2004, ele ajudou a popularizar – especialmente no Brasil – o conceito de redes sociais on-line. Pois os brasileiros foram além. Após dominar o Orkut, onde respondem por mais da metade do tráfego, eles estão entre os destaques do deviantART, site que reúne fotógrafos, ilustradores, designers, desenhistas digitais em uma comunidade.

Criado em agosto de 2000 nos EUA, o Deviant Art oferece a seus usuários a oportunidade de exibir em galerias individuais trabalhos artísticos de diversos tipos – de desenhos feitos com lápis de cor até gráficos vetoriais – para seus pares e até empresas interessadas em novos talentos. Também é possível interagir com os outros membros do site, fazendo comentários sobre o trabalho, freqüentando fórums de discussão e criando jornais eletrônicos.

Público para essa exibição virtual não falta. Segundo os administradores do endereço, eles recebem uma média de 29 milhões de visitantes únicos por mês, e chegaram aos 50 milhões de trabalhos publicados na semana passada. Para dar conta da demanda, o site mantém uma equipe fixa de aproximadamente 50 funcionários.

O faturamento da página vem de anúncios e de mensalidades pagas por uma parcela dos usuários. Sim, o Deviant Art tem todas as suas funções básicas gratuitas, mas é possível ter acesso a uma série de ferramentas extras – tais como a possibilidade de navegar sem as janelas de publicidade – com o pagamento de uma taxa mensal.

Galáxia de talento

Dentro de todo esse universo de arte digital, várias estrelas são brasileiras. Uma delas é Cristiano Siqueira, ilustrador de 28 anos de idade que recentemente foi chamado pelos administradores do site de “um dos criadores de arte vetorial mais inventivos e habilidosos do Deviant Art”.“Conheci o endereço em 2004. Logo na primeira semana, tive um de meus trabalhos escolhido como destaque do dia, e ele foi exibido na página inicial”, relembra ele. Quando um trabalho vira “capa” do site – seja por ter recebido muitos fotos favoráveis de outros usuários, seja por ter sido escolhido por um administrador – ele recebe uma verdadeira enxurrada de visitas e, conseqüentemente, notoriedade para toda a galeria de seu criador. Depois de sua “estréia”, Cristiano já teve trabalhos escolhidos como destaque mais de 15 vezes.

A publicação de bons trabalhos no Deviant Art pode até gerar retorno financeiro. Isso inclui tanto a chance de mostrar talento para empresas quanto utilizar um dos recursos mais interessantes do site: o sistema de impressão. Qualquer pessoa pode encomendar a impressão de uma imagem da página em uma ampla gama de produtos como camisetas, cartazes, calendários, mousepads e até canecas. Os administradores se responsabilizam pela impressão e envio do material, e o autor da obra recebe uma porcentagem do valor da transação.

No caso de Cristiano, ele consegue retorno usando ambos os sistemas. “Todos os meses ganho pelas impressões de alguns trabalhos meus”, revela. O dinheiro fica numa conta e pode ser retirada a qualquer momento. Através do endereço, ele também já realizou por encomenda trabalhos como o banner de um festival musical em Miami e o licenciamento da imagem usada por um grupo de teatro de Nova York para anunciar a peça Rei Lear, de William Shakespeare.

Concurso

Outra estrela nacional no Deviant Art é o arquiteto de sistemas Alexander Blagus, de 29 anos, que tem a fotografia como principal paixão. Membro desde 2003, ele venceu em 2005 um concurso promovido pelo site na área de fotos com a imagem “Brás in Red” (confira acima) e se tornou conhecido entre os “deviants”, como são chamados os freqüentadores do endereço.
Para Alexander, o ponto forte do site é o feedback recebido dos demais usuários: “só me tornei o fotógrafo que sou hoje devido ao retorno que tive do meu trabalho inicial”. Alexander destaca também outro fator que diferencia o Deviant de outros serviços focados em fotografias, como o Flickr e os fotologs: o alto nível dos trabalhos publicados. “Conheci os fotógrafos que mais admiro hoje em dia no site”, afirma.

Comunidade verde e amarela

Mas a presença dos brasileiros no Deviant Art inclui muitas, muitas outras pessoas. Há até uma comunidade dedicada exclusivamente ao Brasil no site. “Destacamos trabalhos que tenham o país como tema, além de organizarmos um jornal eletrônico e promovermos enquetes, concursos e até encontros entre os membros”, explica o designer gráfico Nelson Balaban, de 18 anos, administrador da comunidade.
Nelson, que também já conseguiu vender alguns trabalhos graças à exposição conseguida no site, ficou em primeiro lugar em um concurso para melhorar o design adotado pela página. Como prêmio, ganhou três anos de assinatura grátis. “Esse tipo de ação faz o usuário se sentir realmente parte de uma grande comunidade”, sustenta.

De fato, para Nelson, o recurso mais atraente do site é a interatividade. “Faço comentários, crio tópicos, voto e converso com os artistas que mais gosto, gente do mundo inteiro, com interesses parecidos aos meus”, afirma.

Destaque na qualidade

Quem teve uma amostra da força dessa comunidade global é Guilherme Meneghelli, designer gráfico de 23 anos morador de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A partir de uma das suas 107 imagens expostas no site – uma fotografia em preto e branco que mostrava crianças de um assentamento de trabalhadores rurais sem-terra – teve a chance de conhecer o trabalho de um fotógrafo turco, que também tinha foco em questões relativas à reforma agrária. “Foi uma experiência muito interessante”, destaca.Guilherme também se junta aos que defendem a qualidade como o principal diferencial do Deviant Art. “Claro que há trabalhos de diversos níveis, afinal é um site aberto para todos. No entanto, existem por lá vários artistas consagrados, que usam o endereço para expor seu material mais alternativo”.
Claro que nem tudo são flores. Os usuários ainda se queixam da falta de alguns recursos que poderiam melhorar a utilização do site. A maior queixa é a falta de mais recursos para controlar o roubo e a utilização indevida de seus trabalhos. Hoje a página permite a utilização de uma marca d´água (logotipo transparente colocado sobre a imagem), mas não possui um sistema de bloqueio eletrônico. “Já cheguei a descobrir uma ilustração minha sendo usada para promover carnaval em Portugal”, diz o “deviant” Cristiano Siqueira.

Fonte: G1 > Tecnologia
Autor do Post: Gustavo

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